Crítica ao amor baunilha

O que é um namoro?

O namoro é uma instituição de relacionamento interpessoal não moderna, que tem como função a concretização do sentimental e/ou ato sexual entre duas pessoas através da troca de conhecimentos e uma vivência com um grau de comprometimento inferior à do matrimônio. A grande maioria utiliza o namoro como pré-condição para o estabelecimento de um noivado ou casamento, definido este último ato antropologicamente como o vínculo estabelecido entre duas pessoas mediante o reconhecimento governamental, religioso ou social.

Wikipedia

Coisa chata, não é?

Uma coisa curiosa é que o mundo precisa de rótulos. As pessoas precisam de algum tipo de diretriz ou linha de ação para se agarrarem. Elas não sabem conviver com a própria liberdade.

Namoro, fidelidade, compromisso. Regras invisíveis de um contrato que você não se lembra de assinar. De repente você está preso em algo que você nem sabe realmente o que é. Daí se criam vários nomes: flerte, namoro, fica, amizade colorida, casamento e outras dezenas de epítetos infelizes. Cada um com sua forma de controle característica.

No namoro e casamento, demanda-se exclusividade. Você é meu, eu sou seu. Só nisso já se fecham muitas portas e possibilidades individuais. Até olhar aquela gata que passa no shopping vira pecado capital. Começar um namoro é dizer “Pronto, amor, pode ter ciúmes de mim agora e com razão”. Extremamente ilógico.

Fica (nem gosto tanto desse termo) e amizade colorida são o contrário. Em vez das barreiras individuais, colocam uma entre o casal. Na primeira, é um atestado de efemeridade. Na segunda, é um “não é nada sério” estampado na testa.

Certo, as coisas evoluem. Um flerte se torna fica, que vira um namoro e depois casamento. Mas pra que esse nomes? Por que complicar uma coisa tão simples, natural e bonita? Por que é preciso linearizar todo um processo com múltiplas faces e possibilidades?

Eu gosto mesmo é do amor livre, aquele paixão anarquista que mexe corpo, alma e coração. É aquele amor emocional, sem regras, desprovido de qualquer critério racional, movido apenas pela lei de gravitação universal. Dois corpos atraindo-se mutualmente para um ponto em comum.

E assim como a gravitação, a massa dos corpos influi bastante na atração, mas enfim…

Eu tenho uma namorada, mas não namoro. De vez em quando a gente chama de namoro pra explicar melhor, mas não é um. Não é um relacionamento aberto, não é fica, muito menos amizade colorida.

Não somos regidos por nenhum convenção. Nossos laços são puramente emocionais, de afeição, amor, carinho e atração. Não existe nenhum tipo de “força maior” nos impedindo de ou comandando-nos a fazer qualquer coisa. Não há qualquer bóson de higgs mediando nossas interações atômicas (não sacou? Google tá aí pra isso).

Somos só duas pessoas, juntas por um período de tempo qualquer, como se fosse uma dança. Você só dança com quem quer, não importa se ela for uma bailarina russa ou se ela mexer o corpo como uma lagartixa esquizofrênica. Pode durar por uma música, alguns segundos ou a noite toda, dependendo apenas da cumplicidade do casal. E quando acaba (se é que acaba), você não fica com raiva. As pessoas cansam. Na dança e no amor.

“O mundo já caiu, só me resta dançar sobre os destroços.”

Ninguém é obrigado a ficar com você. Se você gosta de alguém, aproveite o tempo com ela, conquiste-a, mas não crie prisões. Sua namorada não é sua. É apenas uma pessoa bacana (ou não) que está passando um tempo ao seu lado.

Duas pessoas não formam um namoro, casamento ou qualquer denominação do tipo. Duas pessoas são nada mais do que isso, Duas almas, pensamentos, corpos, ideias, desejos e potência. A maneira que elas se relacionam naturalmente é que define o rumo a seguir.

Aproveite o espaço que existe entre vocês para explorar as infinitas possibilidades do amor. É besteira perder tempo discutindo a relação, pensando em conceitos e  convenções tão abstratos como fidelidade, traição e intimidade. Deixemos estes blocos se construírem sozinhos para curtirmos um ao outro.

É melhor aproveitar a dança ou estudar a forma de se dançar?

Anúncios

3 pensamentos sobre “Crítica ao amor baunilha

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s