Ode à imperfeição

Não gosto de mulheres perfeitas.

Gosto das gordinhas, das inseguras, das sapecas, das ingênuas, das baixinhas. Sou amante das sardas, do sinalzinho atrás da coxa, das marcas de nascença, das pernas finas, dos olhos castanhos, das tatuagens. Aprecio os defeitos, os detalhes únicos, as marcas que tornam cada mulher um ser humano, e não um objeto de desenho.

Não leio Playboy, nem gosto de qualquer tipo de pornografia profissional. Aquelas mulheres de capa, com aquela cara de “eu sei que você me deseja, afinal, quem não desejaria?” não me apetecem. Essas indústrias (e muitos homens que as apoiam) transformam a beleza feminina numa fórmula matemática. Algo que deveria ser pura emoção, sentidos e química cerebral vira peito + bunda + pernas. Vira linha de montagem, produção em série.

Onde se meteram as verdadeiras beldades?

Uma loira aqui, uma morena ali, uma asiática, uma negra, uma peituda, outra com coxas grossas como a de um cavalo. É receita, culinária, para deixá-las gostosas em todos os sentidos. Para que os homens queiram comê-las, devorá-las sem nenhuma degustação. Fast food.

Onde estão as diferenças? Aonde foi a beleza natural? Agora é tudo sintético, artificial, friamente calculado. Mulher bonita ganhou definição, é quem tem x de bunda, y de peito e z de manequim. Virou proporção, geometria, ciência exata.

Mulher não é isso. Mulher é história, literatura, arte. Tão inexata quanto o coração de um poeta, tão ambígua quanto uma música, inconstante como a história de Romeu e Julieta, misteriosa como Hamlet, confusa como Bentinho e Capitu.

Que se explodam as nádegas e mamas. Quero viver entre os olhos e os sorrisos das mulheres que existem do meu lado. As que não são robôs nem máquinas. As que são pinturas e não fotografias.

Quero analisá-las, sentí-las, cheirá-las, mordê-las, tocá-las, não só ver uma uma foto, olhar para o lado e dizer para o meu amigo “Olha aí, que gostosa!”. Quem gosta de máquina é engenheiro, homem gosta é de carinho e calor.

Largue essa playboy. Tem coisa mais bonita para adorar

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